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Dr. Paulo Rodrigues

Patologias

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Efeitos do Uso do Tratamento da Finasteride em Homens


Introdução

A testosterona ao ultrapassar a membrana plasmática da célula, liga-se ao receptor androgênico no interior da célula e é convertida para dihidrotestosterona pela enzima 5--redutase.  A finasteride, uma droga lançada em meados da década de 90, inibe a enzima  5--redutase  impedindo, e por consequente diminuindo em até 96% o nível de Di-hidrotestosterona .

Há 2 tipos de enzimas 5--redutase :

  • O tipo I concentra-se na pele, glândulas sebáceas e folículo piloso;
  • O tipo II concentra-se na próstata vesícula seminal, epidídimo, folículo piloso e fígado; sendo responsável ppor 1/3 da produção de dihidrotestosterona.

Enquanto a finasteride inibe principalmente a enzima tipo I, a dutasteride inibe as formas I e II citação.

Enquanto a estas drogas podem ser usadas para tratar o crescimento da próstata, sua ação nos folículos pilosos, retardando seu envelhecimento e ativando alguns já atrofiados, conduzem ao crescimento de cabelos em áreas já carecas, servindo também para tratar a calvície.


História

 

O desenvolvimento da finasteride, iniciou-se com o estudo de casos de pseudohermafroditismo masculino incompleto na década de 70, onde alguns casos apresentavam genitália externa ambígua, cariótipo 46 XY e virilização na puberdade, embora tivessem barba muito escassa; e ausência de linha de entradas temporal do cabelo, além de mínimo desenvolvimento da próstata, ainda que com desenvolvimento peniano e ereções regulares, assim como libido masculino normal citação.

Estes pacientes apresentavam deficiência na produção de 5--redutase minimizando portanto; a formação de dihidrotestosterona e aumentando a disponibilidade de testosterona no sangue.

A identificação destes pacientes possibilitou se concluir que a ausência da enzima 5--redutase, produzia este efeito. O desenvolvimento de uma droga (finasteride) que bloqueasse esta enzima seria capaz de reverter ou impedir o crescimento da próstata, e/ou estimular o crescimento de cabelo, dependendo da necessidade e desejo da situação.


Papel da Testosterona na Ereção e o efeito da Finasteride

Embora o papel da testosterona na ereção não seja consensual, pois alguns pacientes com baixo nível de testosterona mantêm o desejo sexual em níveis aceitáveis; a deficiência de testosterona está claramente ligada à perda do desejo de se manter uma vida sexual com regularidade.

Em casos de meninos castrados na adolescência, e portanto com severa diminuição dos níveis de testosterona antes de começarem a vida adulta, tornam-se apáticos para a vida sexual (eunucos; muito comuns e desejáveis nas cortes dos sultões, evitando assédio sexual às suas cocumbinas).

 Adicionalmente, a testosterona promove uma maior produção de óxido nítrico nas terminações neuronais facilitando o relaxamento dos corpos cavernosos citação, ao mesmo tempo que mantêm a vitalidade das células musculares dos corpos cavernosos. A deficiência de testosterona diminui a vitalidade destes músculos e aumenta a deposição de colágeno no pênis, diminuindo sua elasticidade; e portanto sua qualidade erétil citação.

Ainda que o papel da Testosterona e da dihidrotestosterona não estejam absolutamente estudadas, até 38% dos pacientes que tomam finasteride – bloqueadores da enzima 5--redutase; queixam-se de piora da libido ou da qualidade da ereção citação.

Estudos com animais revelam que a utilização de finasteride promove acúmulo de colágeno no interior dos corpos cavernosos (Shen ZJ et cols BJU Int 86: 133, 2000). Embora em menor escala do que nos animais submetidos à castração, esta deposição de colágeno diminui consistentemente a elasticidade da árvore circulatória do pênis, diminuindo a retenção de snague e portanto, a qualidade da ereção.

A deposição de colágeno (cicatriz inelástica) no interior dos corpos cavernosos, obedece uma relação da diminuição dos níveis de Testosterona ou di-hidrotestosterona, impostos àqueles animais que foram castrados ou receberam finasteride como tratamento experimental.


Finasteride e Ejaculação

Os efeitos da finasteride no volume ejaculatório não foram extensivamente estudados, mas se reconhece que muitos pacientes (8%) que utilizam o medicamento, queixam-se de alterações ejaculatórias, tais com dificuldade de orgasmo ou diminuição expressiva do volume da ejaculação. A interrupção do medicamento pode restaurar o padrão de ejaculação, mas este retorno pode levar de 3 meses a 12 meses citação.


Finasteride e Fertilidade e Espermatogênses

Similarmente, homens que utilizam finasteride de maneira regular, mostram redução na contagem de espermatozóides (queda de em média 35%), com subsequente diminuição da motilidade dos espermatozoides (queda em média de 12%) citação .

 


Tratamento da Hiperplasia Benigna da Próstata com Finasteride

Ainda que o crescimento benigno da próstata (HBP) seja multifatorial e não plenamente conhecido, reconhece-se que os andrógenos apresentam papel capital no seu desenvolvimento.

O primeiro tratamento da hiperplasia da próstata com finasteride (bloqueador tipo II da enzima 5--redutase) foi feito em 1993 citação, tendo produzido uma redução de cerca de 20% no volume prostático após 6 meses do uso da droga; e de até 60% após 2 anos de tratamento – redução média de 19ª 28% citação. Embora os efeitos colaterais registrados não aumentem com o uso crônico e regular da droga, eles podem alcançar até 45% dos pacientes, sendo a disfunção sexual o mais temido, quando comparado com o grupo placebo (15.8% vs. 6.3% - citação. Contra-argumentadores defendem que em outros estudos a incidência de disfunções sexuais no grupo tomando a droga, não foi diferente do grupo tomando placebo (pílulas falsas), e que o aumento nas queixas de impotência se deveu somente a uma evolução natural com a idade, que por si só já apresenta maior índice de disfunção sexual citação.

 


Tratamento da Hiperplasia Benigna da Próstata com Dutasteride

A Dutasteride representa a evolução dos bloqueadores da enzima 5--redutase, mas enquanto a Finasteride bloqueia a versão II (isoenzima II), a dutasteride bloqueia as versões I e II (isoenzimas I e II); portanto sendo potencialmente mais eficaz, no bloqueio enzimáticos dos fatores que determinam o crescimento prostático, ao diminuir mais marcantemente os níveis de di-hidrotestosterona citação.

Ao se verificar que a dutasteride bloquearia, não uma, mas as 2 isoenzimas envolvidas com o metabolismo da di-hidrotestosterona, pensou-se que seu uso produziria maiores índices de impotência sexual, já que o bloqueio seria duplo.

Entretanto, num estudo randomizado com 4200 pacientes questionados sobre a vida sexual antes e 1 ano após o uso do medicamento, o índice de impotência sexual foi de 6,7% no grupo tomando medicamento e de 4% no grupo placebo citação.


Tratamento da Alopécia (CALVÍCIE) com Finasteride

A testosterona tem profundos efeitos sobre a pilificação humana, particularmente nos homens, onde durante a puberdade, o impulso androgênico promove as caracterísiticas e aquisições do pelo e cabelo.

A perda dos cabelos dos homens obedecem a padrões genéticos, obedecendo as tendências de perda de cabelo de seus familiares. Este efeito depende profundamente de altos níveis de di-hidrotestosterona. O uso da finasteride, com bloqueio da enzima conversora 5--redutase, aumenta o nível de di-hidrotestosterona aumentando a densidade dos folículos pilosos; e portanto o cabelo, ao mesmo tempo que diminui a tendência à calvície.

Embora estudos clínicos não demonstrem piora da função sexual com o uso de finasteride citação, reconhece-se que alguns pacientes apresentam impacto negativo sobre suas vidas sexuais, observando-se que até cerca de 30% dos homens queixam-se de piora da performace sexual.

No estudo PCPT em que 17.000 homens utilizaram finasteride por cerca de 7 anos, observou-se que os próprios pacientes relataram piora do desejo, satisfação, performace sexual e frequência das relações sexuais duanete o período de uso do medicamento citação.


Uso de Finasteride como Medicamento de Prevenção do Câncer de Próstata

Como o crescimento prostático é dependente de hormônio (embora não exclusivamente – há casos sem crescimento da glândula com hormônio em níveis normais) a supressão hormonal promove diminuição marcante do volume prostático.

Havendo uma grande expectativa de que descobrisse uma droga que diminuísse a incidência de câncer de próstata na população, utilizou-se este raciocínio para se empregar a finasteride como droga que diminuísse a proliferação celular, numa tentativa de conter o eventual aparecimento de células neoplásicas (cancerosas) ao longo dos anos.

Este estudo de prevenção do câncer de próstata chamou-se PCPT (Prostate Cancer Prevention Trial) e reuniu 18.882 homens com mais de 55 anos, sem nenhuma doença ou sintomas prostáticos, divididos para receberem ou não a finasteride, em dose diária por 7 anos.

Após 7 anos, observou-se que os pacientes que receberam finasteride diariamente, tiveram 24,8% menos câncer de próstata, quando comparados aos homens que não receberam a medicação. Entretanto, os homens que tomaram a medicação e foram diagnosticados com câncer, ao longo do período estudado (7 anos), revelaram cânceres mais agressivos. Isto é, dos casos diagnosticados com tumores no grupo que recebeu a medicação, 37% dos casos eram de cânceres agressivos (Gleason > 7), enquanto que no grupo que não recebeu a medicação, somente 22% apresentaram tumores altamente agressivos.

Posteriormente, 222 homens que receberam a medicação e 306 que não receberam, mas que tiveram o diagnóstico de câncer confirmado através de exame de biópsia de próstata e que posteriormente foram tratados com cirurgia (prostatectomia radical), a próstata pôde ser integralmente analisada. Olhada sobre esta perspectiva (análise da próstata inteira) e não somente pelo prisma da biópsia; verificou-se que a incidência de câncer de próstata agressivo foi igual em ambos os grupos (8,2% no grupo sem medicação e 6,0% no grupo que recebeu finasteride).