Foto DR. PAULO Rodrigues

DR.

PAULO
RODRIGUES

Foto DR. PAULO Rodrigues

DR.

PAULO
RODRIGUES

Doutor em urologia pela faculdade de medicina da USP.

Patologias

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Esfíncter Artificial
Tratamento da Incontinência Urinária após Prostatectomia Radical

por Dr Paulo Rodrigues

A sequela de incontinência urinária após a retirada da próstata (Prostatectomia Radical) para o tratamento do câncer de Próstata é uma das sequelas mais apavorantes do procedimento.

Modificado gradativamente ao longo do tempo, pelo avanço tecnológico, o esfíncter artificial apresenta índices de cura ou sucesso, com resolução da perda de urina, da ordem de 80 a 96%

Uma avaliação profissional da quantidade e severidade da incontinência urinária é mandatória, e frequentemente inclui um estudo urodinâmico, para diagnosticar a incompetência ou insuficiência do esfíncter uretral externo, como causa das perdas urinárias.

Em decorrência da dissecção cirúrgica, para a retirada da próstata, frequentemente há lesão da inervação esfincteriana, levando a um enfraquecimento da musculatura, resultando numa diminuição na sua capacidade de se fechar circularmente, e ocluir a uretra, resultando em perdas urinárias involuntárias, quando a pressão dentro do abdômen aumenta de maneira involuntária. As vezes, a incapacidade de oclusão da uretra é tão grande que, somente ficar de pé, já é suficiente, para que a urina começa a escapar.

Embora as expectativas devam ser realísticas, a colocação do esfíncter artificial constitui-se numa alternativa de grande sucesso e com alto índice de cura da incontinência. Deve-se lembrar no entanto que, também a bexiga, e não somente a uretra, pode ser a razão para a ocorrência de perdas urinárias. Bexiga de pequena capacidade ou com contrações involuntárias (Bexiga Hiperativa) não só podem ser o fator principal, como contribuírem de maneira decisiva no sucesso do controle da urina, após a colocação do esfíncter artificial.

 

Pacientes com radioterapia

 

Pacientes submetidos a prostatectomia radical, e que eventualmente tenham também se submetido à Radioterapia, constituem-se num grupo particular de casos com incontinência urinária.

O efeito indesejado de fibrose e atrofia, tão desejado para as células acometidas com câncer; são fatores de piora para a incontinência. Devido aos efeitos mencionados, a uretra torna-se mais rígida e menos elástica, o que piora a contenção de urina no interior da bexiga. Embora não seja um impedimento para a colocação do esfíncter Artificial, os efeitos de enrijecimento do tecido uretral e esfincteriano, diminuem os índices globais de sucesso do controle das perdas urinárias.

Num dos poucos estudo sobre o assunto Boone relatou um índice de 60% de cura naqueles que tinham tido radioterapia, e de 64% naqueles que não tinham sido submetidos à radioterapia.

Apesar dos índices mais baixos, a simples melhora dos casos, com diminuição no número de fraldas utilizadas/dia, serviram para que 80% dos casos relatassem que fariam a cirurgia novamente ou recomendariam o procedimento para um amigo com o mesmo problema, apesar do sucesso ter sido menor que o esperado.